Partida


Naquele dia parecia que ela estava cansada demais para fazer qualquer coisa que exigisse o mínimo esforço. Queria ser deixada de lado, quieta no canto dela, sem que ninguém a encomodasse, sem que ninguém soubesse que ela existia.
Ela acompanhada do seu corpo saiu para dar uma volta, sentiu a brisa do verão varrer a pele daquele corpo, que não era nada sem ela, apenas matéria. Continuaram a andar pela calçada de pedras da rua onde morava a matéria e a essência. Para os que vissem de fora era impossível perceber qual delas estava exaurida de tanto lutar, de tanto ser quem realmente é. Após a caminhada chegaram em casa, as duas juntas é claro. O sofá da sala parecia tão atraente, seria ali mesmo que iriam se esparramar. Mas, era o limite dela, da Vida, que deu seu ultimo sopro, deixando a Matéria ali, só, condenada ao nada sem sua compania. Condenada ao silêncio mortal do exausto abandono.

1 comentários:

Carl.inháh 17 de novembro de 2009 17:12  

muito perfeito seu texto...
lindo!!

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Não há sentido em decifrar o que há dentro de cada um. Cada cenário diz respeito apenas ao ator que o utiliza como meio de brilhar, imaginar, como ferramenta para existir dento de si.

Aline Ribeiro Cunha.

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"O coração da mulher é assim; parece feito de palha, incendeia-se com facilidade, produz muita fumaça, mas em cinco minutos é tudo cinza que o mais leve sopro espalha e desvanece." Manuel Antônio de Almeida

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