Qual seu nome ?


Naquela manhã ensolarada ela vestiu uma máscara, para que ninguém percebesse quem realmente agia naquele corpo. Prendeu o cabelo bem lá no alto e colocou um chapéu velho, seguido de um longo sobretudo e botas grosseiras. Abriu a porta da sua estranha casa e andou pelas ruas que se sucediam, sem ordem, sem sentido. Era diferente ver que ninguém a reconhecia, ninguém a possuía, ninguém fazia questão de cortejá-la. De vez em quando alguém olhava profundamente em seus olhos e esboçava alguma familiaridade, mas isso logo acabava, e ela continuava a seguir
seu solitário rumo. Disfarçada ou não, era doloroso saber que sozinha agora ela tinha que estar. Foi assim que aos poucos ela tentava deixar as fantasias exageradas de lado, e passava a vestir apenas um casaco ou um óculos engraçados. As mesmas coisas voltavam a acontecer, um ou outro olhava mas ninguém a reconhecia, ninguem tinha ALGO DELA GUARDADO DENTRO DE SI. Então em outra manhã, mas desta vez cinzenta, ela resolveu sair como realmente era, sem disfarces. Corria pelas ruas de olhos fechados, esperando que vários viessem ao seu encontro.De fato alguns vieram e relataram as pacatas vezes em que conseguiram sentir sua delicada voz
agindo dentro de suas mentes, ajudando nas horas difíceis. Só sei que poucos contei, e mesmo assim metade deles sinceros foram. Foi então que eu descobri quem aquela pessoa era, descobri seu nome, Esperança. Seu brilho estava meio apagado, e suas rugas mais salientes. Enquanto a noite caía, ela voltava devagar pra casa, tentava encontrar forças para acreditar na manhã seguinte.

1 comentários:

Midup 30 de agosto de 2009 22:26  

Aaahh...Muito bonito. Muito profundo
Adoreeeii...
Beijoos. =)

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Não há sentido em decifrar o que há dentro de cada um. Cada cenário diz respeito apenas ao ator que o utiliza como meio de brilhar, imaginar, como ferramenta para existir dento de si.

Aline Ribeiro Cunha.

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"O coração da mulher é assim; parece feito de palha, incendeia-se com facilidade, produz muita fumaça, mas em cinco minutos é tudo cinza que o mais leve sopro espalha e desvanece." Manuel Antônio de Almeida

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