Pedaços


Hoje, acordei um pouco incomodada, e quando meus olhos resolveram romper o breu que me desligava da realidade, percebi que algo quebrado em vários pedaços me machucava. Não soube distinguir ao certo o que aquelas coisas negras, pontudas e despedaçadas faziam ali, e nem do que eram feitas. Meses passaram-se, pessoas passaram pela minha vida, e para ser sincera, muitos não fizeram falta quando resolveram partir. Mas uma, valia por milhares, assim como uma estrela brilhante no céu, vale pelas outras, que se assemelham a poeira. Aquela pessoa fazia com que o vento parasse de soprar, e que os outros virassem estátuas gélidas e superficiais. Mas enfim, ele se foi, e de fato meu mundo parou nada mais importava, eu só gostaria de sentir sua presença novamente, só gostaria de escutar meu coração batendo mais forte quando percebia seus lábios nos meus. E foi assim, durante anos, eu acordava sentindo as agulhas surreais beliscando minha pálida pele, enquanto minha respiração falhava, e meus pensamentos insistiam em relembrar as horas vividas com meu presente fugido. Coloquei então as mãos no lado esquerdo do meu peito, e ali nada senti. Nem um projeto de pulsação desregulada e fraca, nem ao menos a presença de algo batendo. Foi então que respirei fundo, e percebi que eu estava vazia, e meu coração despedaçado, duro, afiado, quebrado. Ele dolorosamente queria que eu sentisse dor, para se vingar do sentimento vazio que tanto o incomodava. Meu coração queria me machucar, para que de alguma forma, minha abstinência da verdade desaparecesse, para que eu corresse atrás da cola que juntaria os perversos pedacinhos. Mas meus pés, do chão não saíram. Minhas lágrimas salgadas não cederam. Tudo que fiz foi fechar os olhos e com meu amor sonhar, pelo menos surrealmente, meu coração completo iria estar.

2 comentários:

Takashi Shirozu 13 de agosto de 2009 19:17  

Uiuiuii ASUHAHUSUHASHUAS
hehe :P

Algo de mim 24 de agosto de 2009 21:40  

Uou! Isso tá absurdamente incrível. Juro, me arrepiei toda. Tá incrível mesmo. Você conseguiu sair do chato previsível de menininha machucada e abordou de um jeito ótimo!
Me lembrou um texto meu, boneca de pano.. haha
adorei de veradde, tá incrível.
Parabéns!

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Não há sentido em decifrar o que há dentro de cada um. Cada cenário diz respeito apenas ao ator que o utiliza como meio de brilhar, imaginar, como ferramenta para existir dento de si.

Aline Ribeiro Cunha.

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