Existir


Eu quero ser real. Não quero mais basear minhas ações em personagens de filmes de romance ou atores comediantes. Eu preciso conhecer a essência da minha mente e reproduzir papéis reais, que não são copiados, que não são frutos da observação. Como é triste conhecer seu reflexo no espelho, e com as rugas e fios brancos de cabelo perceber que tudo não passou de uma peça teatral regada de falas decoradas. Inúmeras maquiagens compunham quem eu iria interpretar, trajes coloridos ou discretos denunciavam meu próximo caráter. Mas, como uma caixa de surpresas eu trapaceava as conclusões precipitadas dos meus fãs, quem dera eles existissem na realidade, e num instante mudava o desfecho escrito nos papéis estabelecidos para que alguém ganhasse vida. Às vezes eu conseguia transformar o mocinho no vilão. Outras a donzela virava fada madrinha. Mas eu acho que grande parte disso tudo era resultado de delírios, delírios tais que meu inconsciente fazia questão de dizer que não passavam de realidade. Era divertido me vestir de artista, era gostoso escutar os aplausos, quem dera eles existissem na realidade. Era bom sentir que uma parte daquilo fazia parte de mim, da minha verdadeira essência. Meus olhos brilhavam quando eu era a heroína, e era inspiração para crianças inocentes. Quando as premiações chegavam, e eu colocava um vestido vermelho, o orgulho de mim mesma transbordava, quem dera ele existisse na realidade. Uma das partes mais imponentes, era quando meus cabelos eram tingidos, um loiro brilhante, e eu incorporavauma mulher forte, sedutora, quem dera ela existisse na realidade. E quando eu me escondiaatrás das cortinas, bordadas de dourado, e fingia ser menina moleca, cheia de curiosidade, ah, isso era como a liberdade para mim, quem dera ela existisse na realidade. Enfim, todos os papéis, personagens, todos os "eus" que interpretei carregaram uma parte linda, mágica, curiosa, triste da minha história, ah, quem dera ela existisse na realidade.

1 comentários:

hipebolize-se 22 de julho de 2009 00:20  

aline, eu fiquei toda arrepiada quando li esse texto cara ! (: é perfeito DEMAIS .

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Não há sentido em decifrar o que há dentro de cada um. Cada cenário diz respeito apenas ao ator que o utiliza como meio de brilhar, imaginar, como ferramenta para existir dento de si.

Aline Ribeiro Cunha.

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"O coração da mulher é assim; parece feito de palha, incendeia-se com facilidade, produz muita fumaça, mas em cinco minutos é tudo cinza que o mais leve sopro espalha e desvanece." Manuel Antônio de Almeida

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